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Terceira

Datos geográficos. De forma elíptica, Terceira tem uma superfície de 381 quilómetros quadrados, alcançando os 29 quilómetros de comprimento e 17,5 quilómetros de largura. Está situada a 38º 40’ de latitude norte e a 27º 10’ de longitude oeste. A sua população é de 55.833 habitantes (censo 2001).

A ilha está dividida em dois municípios ou concelhos, Angra do Heroísmo e Praia da Vitória. Angra está por sua vez integrada por 19 localidades, cinco das quais (Sé, Nossa Senhora da Conceição, São Pedro, São Bento e Santa Luzia) compartem a sede do concelho, sendo as restantes povoaçoes rurais: São Mateus, Posto Santo, Terra-Chã, São Bartolomeu, Cinco Ribeiras, Santa Bárbara, Doze Ribeiras, Serreta, Raminho, Altares, Ribeirinha, Feteira, Porto Judeu e São Sebastião. Por sua parte, o município de Praia da Vitória está integrado por 11 localidades: Biscoitos, Quatro Ribeiras, Agualva, Vila Nova, São Brás, Lajes, Santa Cruz da Praia da Vitória, Fontinhas, Cabo da Praia, Porto Martins e Fonte do Bastardo.

A ilha está estructurada sobre três grandes macizos, constituídos pelos extractos vulcânicos dos Cinco Picos no este; pelo macizo Guilherme Moniz-Pico Alto no centro; e Santa Bárbara no oeste. Um cráter domina a extremidade oriental desta ilha. A zona central está, por sua parte, marcada pela grande caldeira de Guilherme Moniz e por numerosos cráteres com pequenos lagos. Em quanto ao oeste, existe igualmente um cono vulcânico com uma amplia caldeira, a serra de Santa Bárbara, com uma altitude máxima de 1.023 metros.

Festas. As principias festas desta ilha são:

As Festas do Espírito Santo: A principal celebração desta ilha é a festa do espírito santo, comúm em todo o arquipélago e organizada por uma capela denominada de imperio. Trata-se de uma importante festa religiosa que tem lugar todos os domingos durante sete semanas antes da Páscua e culmina no séptimo domingo, Pentecostés.

Festas de São João: São João é um dos patrões mais devotados, celebrando-se as festas em sua honra desde a colonização da ilha pelos hidalgos.

Festas das Sanjoaninas: Ligadas às tradições destas festas de São João, as Sanjoaninas são as maiores festas profanas dos Açores. Durante os 10 dias que duram os festejos, que começam trás o dia de São João, 24 de Junho, a cidade de Angra do Heroísmo enche-se de alegria contagiosa. Com o passar dos anos, transformaram-se em festas taurinas, com animadas corridas de corda, largadas de touros e corridas de praça, contando sempre com a participação de toureiros a pé e a cavalo. Também forma parte do programa um cortejo alegórico, outro etnográfico, e desfiles e actuações de marchas populares, bem como jogos ou como competições desportivas. As noites são animadas com actuações de grupos, tunas académicas, etc. Trata-se, em suma, de uma oportunidade de saborear as golosinas tradicionais da ilha, nas famosas tascas que também caracterizam estas festas, que têm lugar em Julho.

Festas da Praia: Festas que se celebram no alto da cidade, na primeira semana de Agosto, destacando a organização de uma feira gastronómica que inclui a instalação de pequenos restaurantes provenientes de Portugal inteiro e alguns nomes internacionais. O programa festivo está constituído por um cortejo etnográfico, espectáculos de teatro e música, desfile de marchas e filarmónicas, exposições, animação nocturna e as tradicionais corridas. As festas terminam com um grandioso fogo de artífico.

Corridas de Corda: São sem dúvida uma das melhores festas populares e tradicionais de Terceira, e única no mundo. Um touro, amarrado com uma corda e controlado por dois grupos de quatro pastores, enviste contra as pessoas que passam pelas ruas. Celebram-se todos os domingos e segundas-feiras entre maio e outubro.

A tradição das corridas remonta-se em Terceira no século XVI, com a combinação de uma abundância de gado na época e a presença dos primeiros povoadores da província com tradições em tauromaquía, junto à posterior presença castelhana. É destacable que estas corridas ficaram conservadas durante sécalos em Terceira, única ilha de Açores onde se realizam, e que utilizam uma técnica perfeitamente adaptada às condições locais, à perícia dos lidiadores e ao gosto da população.

Danças de Carnaval: Nas Danças de Entrudo –nome dado pelo povo da ilha a sua mais importante e famosa modalidade de Teatro Popular-, milhares de terceirenses e forasteiros recorrem a ilha seguindo o itinerário das danças, nas que participam durante o mês de fevereiro cerca de 30 sociedades recreativas da ilha. As danças de Carnaval são, definitivamente, o maior encontro de teatro popular na língua portuguesa que se faz no mundo inteiro. É um fenómeno típicamente terceirense, oferecendo ao visitante uma oportunidade única para disfrutar da sua idiosincracia.

Festa da Vinha e do Vinho: Celebra-se na localidade de Biscoitos, em comemoração das tradicionais vendímias de Terceira. Inclui a recolhida da uva, a sua elaboração mediante o seu pisado, e a cata do mosto e o vinho, e está relacionada com uma amostra de gastronomia tradicional. Celebra-se no primeiro fim de semana de Setembro.

Angra Jazz: Angrajazz é um festival que se celebra anualmente, sempre com a participação de um grupo nacional, e eventualmente fora de programa, de um grupo local, sendo os restantes grupos de origem norteamericana e europeu. O seu principal objectivo é divulgar ou impulsar o gosto pelo jazz, ao mesmo tempo que, pela sua qualidade, tem o seu peso no calendário anual do jazz nacional. Tem lugar durante três ou quatro noites na primeira semana de outubro.

Angra Rock: É um festival anual de actuações de bandas nacionais e internacionais. Tem como objetivo cubrir a lagoa que, no que se refere à organização de eventos deste tipo, tem Açores, e está destinado sobretudo à juventude. Celebra-se a principios de Setembro.

Festival Internacional de Ramo Grande: Festival que se realiza no concelho de Praia da Vitória, reunindo os melhores nomes de música tradicional a nível nacional e internacional. Celebra-se no último fim de semana de outubro.

Gastronomia: Terceira ganhou o seu reconhecimento no que diz respeito a sua cozinha tradicional, que está constituído por uma enorme variedade de bases, de cena e de açúcareiros. Como por exemplo o delicioso e aromático Alcatra, elaborado com carne, toucinho, vinho branco, entre outros ingrediêntes que formam parte desta base. Alcatra, que se serve dentro de uma panela na qual é cozida, acompanha-se com massa sovada.

Não carecem de outras delícias como o chouriço de sangue, as lapas, as cracas, o vinho verdelho, e conta com um pintoresco museu do Vinho das Galletas.

História. Denominada como ilha de Jésus-Cristo no seu reconhecimento pelos navegantes portugueses, o seu assentamento começa por volta de 1450, com a concessão da sua Capitanaria ao flamengo Jácome de Brujas, pelo Infante Don Henrique. As primeiras aldeias foram estabelecidas nas zonas de porto Judeu e de Praia da Vitória, apesar de que se extendiam rápidamente pelo resto da ilha.

A economia de Terceira esteve orientada principalmente à producção agrícola –cereais sobretudo, e exportação do pastel (planta utilizada na lavandaria)-, fazendo com que a ilha jogasse um papel na navegação durante os séculos XV e XVI, como porto de escala dos navios que traziam as riquezas das Américas e os galeões que chegavam da Índia.

Nesta época, Terceira era um depósito para o ouro, o dinheiro, os diamantes e as espécias vindas de outros continentes, o que atraia a codicia de corsários franceses, ingleses e flamengos, convertindo as suas costas no objectivo constante dos seus ataques durante vários séculos.

A sucessão ao trono português do rei espanhol Felipe II, em 1580, e o partido tomado pelos habitantes de Terceira a favor do aspirante ao trono, Don António, Prior de Crato que residiu na ilha, chegou a Terceira para sofrer as tentativas de conquista levadas a cabo pelos espanhóis. O primeiro desembarque de tropas espanholas, em 1581, foi rejeitado completamente na famosa Batalha de Salga, na que participaram os escritores Cervantes e Lope de Vega. No entanto, em 1583, as forças espanholas, em número bastante superior, e dirigidas pelo vencedor da batalha de Lepante Don Àlvaro de Bazan, conseguem dominar a ilha depois de violentos combates.

Até 1640, Terceira era porto de escala dos galeões espanhóis emcarregados de transportar as fabulosas riquezas de Perú e México. Com a restauração, expulsou-se aos espanhóis e a vida a los españoles y la vida reestabeleceu o seu curso normal, conservando a ilha a sua posição de centro económico, administrativo e religioso de Açores até princípios do século XIX.

As lutas liberais levam Terceira a desempenhar, uma vez mais, um papel importante na história de Portugal, ao transformar a causa liberal na base principal desta ilha. Em 1829, frente a Vila da Praia, desenvolve-se uma violenta batalha naval na que predem as forças miguelistes, implantando na ilha a regência desde a qual o partido liberal conquista posteriormente as outras ilhas. Também parte de Terceira, em 1832, o exército e a frota que, depois do desembarque de Mindelo, declara a Carta Constitucional.

A finais do século XIX e a princípios do século XX, assite-se no entanto à reducção progressiva do papel de Terceira no conjunto de Açores. Na actualidade, Terceira vê com uma esperança renovada o seu futuro, com a existência de uma importante base aérea, de um aeroporto comercial e com a diversificação da sua economia.

 

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